quarta-feira, 21 de junho de 2017

LIVRO MÍSTICA CIDADE DE DEUS – TOMO SEGUNDO MARIA NO MISTÉRIO DE CRISTO (NA VIDA OCULTA DE JESUS) CAPÍTULO 7 PAGINAS (29 A 33)

LIVRO MÍSTICA CIDADE DE DEUS – TOMO SEGUNDO
MARIA NO MISTÉRIO DE CRISTO (NA VIDA OCULTA DE JESUS)
CAPÍTULO 7 PAGINAS (29 A 33)

 
CELEBRA O ALTÍSSIMO NOVO DESPOSÓRIO COM A PRINCESA DO CÉU, A FIM DE PREPARÁ-LA PARA AS BODAS DA ENCARNAÇÃO.

A Encarnação, a maior de todas as obras divinas

70. Grandes são as obras do Altíssimo (S I 110 , 2), porque todas foram e são feitas com plenitude de ciência e bondade, justiça e medida (Sab 11 , 21). Nenhuma é incompleta, inútil, defeituosa, supérflua e vã: todas são primorosas e magníficas como o Senhor que, segundo a medida de sua vontade, as quis fazer e conservar do modo mais conveniente, para nelas ser conhecido e glorificado. Fora do mistério da Encarnação, porém, todas as obras de Deus ad extra, ainda que sejam grandes, estupendas e mais admiráveis que compreensíveis, não passam de pequenina centelha (Ecli 42,23) projetada do imenso abismo da divindade.
Somente o inefável sacramento de Deus fazer-se homem passível e mortal, pode ser chamado obra-prima do infinito poder e sabedoria, aquela que excede, sem comparação, às suas demais obras e maravilhas. Neste mistério, não foi comunicada aos homens apenas uma faísca da divindade, mas todo aquele vulcão de imenso incêndio, que se uniu com indissolúvel e eterna aliança, à nossa natureza humana e terrena.

A grandeza de Maria foi proporcionada à dignidade de Mãe de Deus

71. Se esta sagrada maravilha do Rei deve ser medida por sua mesma grandeza, era consequente que a mulher, em cujo seio tomaria forma de homem, fosse perfeita e adornada de todas suas riquezas. Deveria ter todos os dons e graças possíveis, com tal plenitude, que nenhum lhe fosse incompleto ou defeituoso.
Sendo isto racional e conveniente à grandeza do Onipotente, assim Ele o realizou com Maria Santíssima, melhor do que Assuero com a graciosa Ester (Est 2, 9), quando quis elevá-la ao trono de sua grandeza.
Preparou o Altíssimo nossa Rainha Maria com favores, privilégios e dons jamais imaginados pelas criaturas. Quando Ela surgiu à vista dos cortesãos deste grande Rei imortal dos séculos (Tim 1, 17), todos louvaram o poder divino que, ao escolher uma mulher para Mãe, pôde e soube torná-la digna de o receber por Filho.

Visão e graças do sétimo dia

72. Chegou o sétimo dia próximo a este mistério e, à mesma hora que nos anteriores, a Divina Senhora foi chamada e elevada espiritualmente, com certa diferença dos dias precedentes. Neste, foi levada corporalmente pelos santos anjos ao céu empíreo, ficando um deles em seu lugar, representando-a com corpo aparente. Chegada ao supremo céu, viu a divindade com visão abstrativa como nos outros dias, mas sempre com nova e mais intensa luz e mistérios mais profundos, que aquela Vontade sabe e pode esconder ou revelar.
Ouviu uma voz que saía do trono real dizendo: Vem, esposa e pomba escolhida, nossa graciosa e amada, que achaste graça a nossos olhos, eleita entre milhares, vem para novamente seres recebida por nossa única Esposa. Para isto, queremos te conferir o ornato e formosura dignos de nossos desejos.

Atitude e humildade da Virgem

73. A estas palavras, a humilíssima entre os humildes abateu-se e aniquilou-se na presença do Altíssimo, além de quanto possa compreender a humana capacidade. Toda entregue ao divino beneplácito, com aprazível retraimento, respondeu: Aqui está, Senhor, o pó e vil vermezinho, vossa pobre escrava, para que nela se cumpra vosso maior agrado. Servi-vos do humilde instrumento de vosso querer, governai-o com vossa destra.
Mandou o Altíssimo aos serafins, mais excelentes em dignidade e próximos ao trono, que assistissem aquela Mulher. Acompanhados por outros, colocaram-se em forma visível ao pé do trono onde se encontrava Maria Santíssima, mais inflamada no divino amor que todos eles.

Sentimentos dos Anjos

74. Era espetáculo de nova admiração e júbilo para todos os espíritos angélicos ver naquele lugar, jamais pisado por outros pés, um a humilde donzela, consagrada sua Rainha, mais próxima a Deus que todas as demais criaturas. Viam no céu, tão apreciada e considerada, aquela mulher (Prov. 31,10) que o mundo desprezava por desconhecê-la. Viam o penhor e princípio da elevação da natureza humana acima dos coros celestiais, e já estabelecida entre eles.
Oh! Que santa e doce inveja poderia causar esta peregrina maravilha aos antigos cortesãos da celeste Jerusalém! Que conceitos formariam para louvar seu Autor! Que afetos de humildade repetiriam, sujeitando seus elevados entendimentos à vontade e ordenação divina! Reconheceriam ser justo e santo que Ele elevasse os humildes e favorecesse a humana humildade, dando-lhe preferência à angélica.

Maria recebe a graça no mais alto grau

75. Estando os moradores do céu nesta digna admiração, a Santíssima Trindade (a nosso modo de entender) conferia consigo mesma quão agradável era a seus olhos a princesa Maria. Correspondera perfeita e inteiramente aos benefícios e dons que lhe foram confiados. Mediante eles havia conquistado a glória que adequadamente fazia reverter na do Senhor, e não tinha falta, defeito ou impedimento para receber a dignidade de Mãe do Verbo, para a qual fora destinada.
Determinaram as três divinas Pessoas acrescentar-lhe ainda o supremo grau de graça e amizade com Deus, grau que nenhuma outra criatura tivera nem teria jamais. Naquele momento conferiram-lhe mais graça do que possuíam todas as demais criaturas reunidas. Vendo realizada a suprema santidade, que para Maria ideara e concebera sua mente divina, grande foi por Ela seu agrado e complacência.

A manifestação visível da santidade de Maria

76. Correspondente a esta santidade, e em testemunho da benevolência com que o Senhor lhe comunicava novas influências de sua divina natureza, mandou que Maria fosse visivelmente ornada de veste e joias misteriosas, significando os dons interiores, graças e privilégios que lhe outorgava como Rainha e Esposa. Não obstante este ornato e desposório lhe terem sido concedidos outras vezes (1), como quando foi apresentada no templo, nesta ocasião foram acompanhados de novas excelências e admiração, porque constituíam a preparação próxima para o milagre da Encarnação.

A túnica, símbolo de sua pureza e graça

77. Por ordem divina, os serafins vestiram Maria santíssima com ampla túnica, símbolo de sua pureza e graça. Era de tão singular alvura e refulgente beleza, que se um só de seus raios luminosos brilhasse no mundo, daria maior claridade que todas as estrelas juntas, mesmo que estas fossem outros tantos sóis. Comparada com a sua, a luz que conhecemos pareceria obscuridade. Enquanto era assim vestida pelos serafins, recebeu do Altíssimo profunda inteligência que aquela graça lhe ocasionava a obrigação de corresponder a Deus com a fidelidade, o amor, e o excelente e o elevado modo de praticar tudo quanto compreendia.
Somente não lhe era revelada a intenção do Senhor tomar carne em seu seio virginal. Tudo o mais nossa grande Senhora compreendia e por tudo se humilhava com indizível prudência, pedindo o auxílio divino para corresponder a tais benefícios e favores.

O cinto, símbolo do temor de Deus

78. Colocaram-lhe os serafins sobre a veste um cinto, símbolo do santo temor que lhe era infundido. Riquíssimo, feito de pedras diversas, extremamente refulgentes, que muito o embelezavam. Ao mesmo tempo, foi a divina Princesa iluminada pela fonte de luz, em cuja presença se encontrava, para altamente entender as razões pelas quais Deus deve ser temido por toda criatura.
Com este dom do temor do Senhor, ficou convenientemente cingida e preparada, como era necessário a uma pura criatura, que tão familiarmente trataria e conversaria com o Criador, sendo verdadeira Mãe Sua.

Os cabelos, o diadema e as sandálias

79. Em seguida, conheceu que a ornavam com formosos e longos cabelos, mais brilhantes que o ouro refulgente, presos por rico diadema. Por este ornato, lhe era concedido que todos seus pensamentos, durante toda a vida, fossem elevados e divinos, inflamados em sublime caridade significada pelo ouro. Ao mesmo tempo, foram-lhe infundidos novos hábitos de sabedoria e ciência claríssima, para que estes cabelos ficassem graciosamente reunidos e presos por inexplicável participação na ciência e sabedoria do mesmo Deus.
Deram-lhe por sandálias a graça de que todos seus passos e movimentos fossem formosíssimos (Cant. 7), dirigidos sempre para os mais altos e santos fins da glória do Altíssimo. Prenderam-lhe este calçado, com especial graça de solicitude e diligência no agir para com Deus e com o próximo. Assim sucedeu quando, apressadamente (Lc 1,39), foi visitar Santa Isabel e São João. Deste modo, os passos desta filha do Príncipe (Cant. 7,1) tornaram-se formosíssimos.

Pulseiras, anéis e colar

80. Adornaram-na com pulseiras, infundindo-lhe nova magnanimidade para grandes obras, pela participação do atributo da magnificência. Assim, sempre aplicava suas mãos (Prov. 31,19) em coisas árduas. Embelezaram-lhe os dedos com anéis, novos dons do Espírito Santo, para que nas pequenas ações, em coisas de menor importância, agisse de modo superior, com intenções e circunstâncias que as tomavam todas admiráveis e grandiosas. Acrescentaram-lhe um colar de inestimáveis e brilhantes pedras preciosas. Dele pendia um conjunto de três pedras mais excelentes, as virtudes da fé, esperança e caridade, correspondentes às três divinas Pessoas. Por este ornato, renovaram-lhe os hábitos destas nobilíssimas virtudes, conforme deveria exercita-Ias nos mistérios da Encarnação e Redenção.

As arrecadas

81. Colocaram-lhe nas orelhas arrecadas de ouro (Cant. 1, 10), salpicadas de prata, preparando seus ouvidos para a embaixada que em breve receberia do Santo Arcanjo Gabriel. Foi-lhe dada especial ciência, para ouvir com atenção e responder discretamente com argumentos prudentíssimos e agradáveis à divina vontade. Do metal sonoro e puro da prata de sua candura, ressoaria aos ouvidos do Senhor, e ficariam gravadas em seu peito divino, aquelas esperadas e santas palavras: "Fiat mihi secundum verbum tuum" (Lc 1,38).

O ornato de sua túnica

82. Semearam sua veste de cifras em relevo, semelhantes a bordados de finíssimos matizes e ouro. Algumas diziam: Maria, Mãe de Deus; outras: Maria, Virgem e Mãe. Por então, não lhe foram revelados estes misteriosos dísticos, mas somente aos Santos Anjos. Os matizes eram os excelentes hábitos de todas as iminentes virtudes e de seus atos correspondentes, ultrapassando tudo quanto têm praticado as criaturas inteligentes.
Para complemento de toda esta beleza deram-lhe, qual água perfumada para banhar o rosto, muitas iluminações e resplendores, que a proximidade e participação do infinito ser e perfeições de Deus refletiam nesta divina Senhora. Convinha que, para recebê-lo real e verdadeiramente em seu ventre virginal, o houvesse recebido por graça, no sumo grau possível a pura criatura.

Impossível explicar a santidade da Virgem

83. Com este adorno e beleza, ficou nossa princesa Maria tão encantadora e cativante que o supremo Rei pôde cobiçá-la (S I 44, 12). Pelo que em outros lugares tenho dito de suas virtudes (2) e pelo que será forçoso repetir nesta História, não me detenho mais em explicar este adorno, que foi superior pelas suas circunstâncias e efeitos mais divinos. Tudo cabe no poder infinito e no imenso campo da perfeição e santidade, onde sempre fica muito que acrescentar e entender. Aproximando-nos deste mar de Maria puríssima, ficamos sempre muito à margem de sua grandeza, e meu entendimento sempre permanece repleto de conceitos que não consigo traduzir.


DOUTRINA QUE ME DEU MARIA, A RAINHA SANTÍSSIMA

Deus deseja agraciar as almas

84. Minha filha, as ocultas oficinas e recamaras do Altíssimo são de Rei divino e Senhor onipotente. Sem medida e sem número são as ricas joias que nelas guarda, para compor o adorno de suas esposas escolhidas. Assim como enriqueceu minha alma, poderia fazer com outras inumeráveis, e sempre lhe sobraria infinitamente. Ainda que a nenhuma criatura dará tanto como a mim, não será por não poder ou não querer, mas sim porque nenhuma se disporá para a graça como Eu. Apesar disso, com muitas o Todo-Poderoso é liberalíssimo e as enriquece grandemente, por terem menos impedimento e mais disposição que outras.

Disposições para elevar-se na graça

85. Desejo, caríssima, que não oponhas obstáculos ao amor do Senhor por ti. Quero que te disponhas a receber os dons e joias com que te quer preparar e te fazer digna de seu tálamo de esposo. Saiba que todas as almas recebem dele este ornato de sua amizade e graça, mas cada qual no grau de que é capaz. Se desejas chegar aos mais elevados graus desta perfeição e ser digna da presença de teu Senhor e Esposo, procura crescer e ser forte no amor, que aumenta na medida da renúncia e mortificação. Esquece e deixa todas as coisas terrenas; extingue a inclinação por ti mesma e pelas coisas visíveis. Lava-te frequentemente no Sangue de Cristo, teu Redentor, renovando a amorosa dor da contrição de tuas culpas. Deste modo encontrarás graça a seus olhos, Ele cobiçará tua beleza (SI 44,12) e teu adorno será cheio de perfeição e pureza.

Gratidão e humildade

86. Como foste pelo Senhor tão distinguida nestes favores, é razão que sejas mais agradecida que muitas gerações, louvando-O e engrandecendo-O incessantemente pelo que contigo se dignou realizar. Se o vício da ingratidão é tão repreensível nas criaturas que devem menos e que, terrenas e grosseiras, desprezam e esquecem os benefícios do Senhor, maior será esta vilania em ti.
Não te enganes com pretexto de humildade, porque há muita diferença entre humildade agradecida e ingratidão erradamente humilhada. Deves lembrar que muitas vezes o Senhor fez grandes favores a indignos, para manifestar sua bondade e grandeza, e para que ninguém se exalte por causa deles. O conhecimento da própria indignidade serve de contrapeso e antídoto contra o veneno da presunção. Isto não deve impedir a gratidão e o reconhecimento que todo dom perfeito (Tgo 1,17) pertence e desce do Pai das luzes, e por si mesma a criatura nunca os pode merecer. Se tudo lhe é dado unicamente pela bondade divina, deve penetrar-se toda de gratidão.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Entrevista com a Irmã Lúcia - O Padre Fuentes (1959 - 1965) ""A segunda razão é porque Ela disse aos meus primos, como também a mim, que Deus está a oferecer os dois últimos remédios ao mundo. São eles o Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. São os dois últimos remédios, o que significa que não haverá outros."





O Padre Fuentes (1959 - 1965)

Entrevista com a Irmã Lúcia

Em 26 de Dezembro de 1957 o Padre Augustín Fuentes, que estava a preparar-se para ser postulador das causas da beatificação de Francisco e Jacinta Marto, avistou-se com a Irmã Lúcia no seu convento em Coimbra, Portugal; e ali pôde conversar amplamente com a vidente de Fátima. Ao voltar ao México, o seu país natal, fez uma conferência sobre esse encontro, em que se referiu às palavras da Irmã Lúcia. O Padre Alonso, que seria mais tarde arquivista oficial de Fátima durante 16 anos, sublinhou que o relato da conferência foi publicado "com todas as garantias de autenticidade e com a devida aprovação episcopal, incluindo a do Bispo de Fátima."

O Padre Fuentes afirmou que a mensagem vinha "da própria boca da principal vidente."




Fontes: Este tema foi documentado em profundidade por Frère Michel de la Sainte Trinité no Volume III da sua obra Toute la Vérité sur Fatima (Toda a verdade sobre Fátima). O texto que se segue é a tradução que The Fatima Crusader fez dos textos em espanhol e inglês publicados no livro do Frère Michel The Third Secret (Volume III, pp. 336-338). Acrescentámos os subtítulos para maior conveniência.


O relatório do Padre Fuentes



"Quero falar-lhes da última conversa que tive com a Irmã Lúcia em 26 de Dezembro (do ano passado). Encontrei-a no seu convento. Estava muito triste, muito pálida e abatida. Ela disse-me”:


"Ninguém fez caso"



"Senhor Padre, a Santíssima Virgem está muito triste, por ninguém fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus: os bons, porque continuam no seu caminho de bondade, mas sem fazer caso desta Mensagem; os maus, porque, não vendo que o castigo de Deus já paira sobre eles por causa dos seus pecados, continuam também no seu caminho de maldade, sem fazer caso desta Mensagem. Mas creia-me, Senhor Padre, Deus vai castigar o mundo, e vai castigá-lo de uma maneira tremenda. O castigo do Céu está iminente."


O Segredo por revelar



"Senhor Padre, o que falta para 1960? E o que sucederá então? Será uma coisa muito triste para todos, e não uma coisa alegre, se, antes, o mundo não fizer oração e penitência. Não posso detalhar mais, uma vez que é ainda um segredo. Segundo a vontade da Santíssima Virgem, só o Santo Padre e o Bispo de Fátima têm permissão para conhecer o Segredo, mas resolveram não o conhecer para não serem influenciados. Esta é a terceira parte da Mensagem de Nossa Senhora, que ficará em segredo até 1960."


A Rússia, o flagelo de Deus



"Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes nos disse, tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim, que várias nações desaparecerão da face da terra. Disse que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação."


"A batalha decisiva" entre Maria e Satanás: 

a queda das almas consagradas e dos sacerdotes


A Irmã Lúcia disse-me também: "Senhor Padre, o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Santíssima Virgem. E como o demônio sabe o que é que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira o demônio deixa também as almas dos fiéis desamparadas pelos seus chefes, e mais facilmente se apodera delas."



"O que aflige o Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus é a queda das almas dos Religiosos e dos Sacerdotes. O demônio sabe que os Religiosos e os Sacerdotes que deixam a sua bela vocação arrastam numerosas almas para o inferno. […] O demônio quer tomar posse das almas consagradas. Tenta corrompê-las para adormecer as almas dos leigos e levá-las deste modo à impenitência final. Emprega todos os truques, chegando até a sugerir que adiem a entrada na vida religiosa. Disto resulta a esterilidade da vida interior, e entre os leigos uma frieza (falta de entusiasmo) quanto à renúncia aos prazeres e à sua dedicação total a Deus."


O que santificou Jacinta e Francisco



"Diga-lhes também, Senhor Padre, que os meus primos Francisco e Jacinta se sacrificaram porque, em todas as aparições da Santíssima Virgem, sempre A viram muito triste. Nunca nos sorriu. Esta tristeza, esta angústia que notamos n’Ela, penetrou nas nossas almas. Esta tristeza é causada pelas ofensas contra Deus e pelos castigos que ameaçam os pecadores. E assim, nós, crianças, por não sabermos o que fazer, inventávamos várias maneiras de rezar e de fazer sacrifícios."



Outra coisa que santificou estas crianças foi terem uma visão do inferno.


A missão da Irmã Lúcia



"Senhor Padre, eis porque a minha missão não é indicar ao mundo os castigos materiais que certamente virão se antes o mundo não rezar e se sacrificar. Não! A minha missão é indicar a todos o perigo iminente em que estamos de perder as nossas almas para toda a eternidade, se nos obstinarmos no pecado."


A urgência da conversão



A Irmã Lúcia também me disse: "Senhor Padre, não devemos esperar que venha de Roma, da parte do Santo Padre, um apelo ao mundo para que faça penitência. Nem devemos esperar que esse apelo à penitência venha dos nossos Bispos, nas nossas Dioceses, nem das congregações religiosas. Não! Nosso Senhor já usou muitas vezes destes meios, e o mundo não prestou atenção. Eis porque, agora, é necessário que cada um de nós comece a reformar-se espiritualmente. Cada pessoa deve não só salvar a sua alma como também ajudar a salvar todas as almas que Deus colocou no seu caminho."



"O demônio faz tudo o que está em seu poder para nos distrair e nos retirar o amor à oração; seremos todos salvos ou seremos todos condenados."


Os últimos tempos



"Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que estamos nos últimos tempos do mundo, mas fez-mo compreender por três razões."


A batalha final



"A primeira razão é porque Ela disse-me que o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Santíssima Virgem. E uma batalha decisiva é a batalha final, em que um lado será vencedor e o outro lado sofrerá uma derrota. Assim, a partir de agora devemos escolher o nosso lado. Ou somos por Deus ou somos pelo demônio . Não há outra possibilidade."


Os últimos remédios



"A segunda razão é porque Ela disse aos meus primos, como também a mim, que Deus está a oferecer os dois últimos remédios ao mundo. São eles o Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. São os dois últimos remédios, o que significa que não haverá outros."


O pecado contra o Espírito Santo



"A terceira razão é porque, nos planos da Divina Providência, Deus esgota todos os outros remédios antes de castigar o mundo. Mas quando Ele vê que o mundo não presta qualquer atenção, então – como dizemos na nossa maneira imperfeita de falar – oferece-nos com ‘temor certo’ o último meio de salvação, a Sua Santíssima Mãe. E é com ‘temor certo’ porque, se desprezarmos e repelirmos este último meio, não teremos mais nenhum perdão do Céu, porque teremos cometido um pecado a que o Evangelho chama pecado contra o Espírito Santo. Este pecado consiste em rejeitar abertamente, com pleno conhecimento e consentimento do ato, a salvação que Ele nos oferece. Recordemos que Jesus Cristo é um Filho muito dedicado, e que não permite que ofendamos e desprezemos a Sua Santíssima Mãe. Ao longo de muitos séculos da história da Igreja, recolhemos o testemunho certo que demonstra, através dos castigos terríveis que caíram sobre os que atacaram a honra da Sua Santíssima Mãe, como Nosso Senhor Jesus Cristo sempre defendeu a honra da Sua Mãe."


Oração e sacrifício, e o Rosário


A Irmã Lúcia disse-me: 
"Os dois meios para a salvação do mundo são a oração e o sacrifício."



A respeito do Rosário, a Irmã Lúcia disse: "Repare, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à recitação do Rosário. E deu-nos esta eficácia de tal maneira que não há problema temporal ou espiritual, por mais difícil que seja, na vida pessoal de cada um de nós, das nossas famílias, das famílias do mundo ou das comunidades religiosas, ou mesmo da vida dos povos e nações, que não possa ser resolvido pelo Rosário. Não há problema, afirmo-lhe, por mais difícil que seja, que não possamos resolver rezando o Rosário. Com o Rosário, salvar-nos-emos. Santificar-nos-emos. Consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas."

Devoção ao Imaculado Coração de Maria



"Finalmente, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, nossa Mãe Santíssima, consiste em considerá-La como fonte de misericórdia, de bondade e de perdão, e como a porta segura pela qual entraremos no Céu."1


Reação eclesiástica à entrevista



A entrevista do Padre Fuentes à Irmã Lúcia, ao ser publicada, produziu – embora apenas um ano mais tarde – uma forte reacção por parte da Cúria Episcopal de Coimbra, Diocese em que se situa o convento da Irmã Lúcia. Foi publicado um comunicado anônimo, acusando o Padre Fuentes de inventar estas declarações da Irmã Lúcia, e dizendo que a própria Irmã Lúcia as tinha desmentido como não sendo verdadeiras. A Cúria declarou que o Padre Fuentes tinha fabricado as declarações que atrás reproduzimos. Até hoje, ninguém quis assumir a responsabilidade por este comunicado, o que, sob o ponto de vista legal, anula qualquer valor que pudesse ter.



No México, o Arcebispo Manuel Pío López e o Cardeal José Garibi y Rivera defenderam o Padre Fuentes, mas em vão. Foi demitido do seu cargo de postulador da beatificação de Jacinta e Francisco, e substituído depois pelo Padre Luís Kondor.


Comentário



O que aconteceu para provocar uma tal celeuma? Alguém está a mentir em relação à entrevista entre o Padre Fuentes e a Irmã Lúcia. Tanto o Padre Kondor como o Padre Alonso acreditavam que o Padre Fuentes não falsificou o relato da sua entrevista com a Irmã Lúcia. Depois de ser nomeado arquivista oficial de Fátima em 1966, o Padre Alonso inicialmente acreditou que o Padre Fuentes tinha fabricado as declarações que atribuiu à Irmã Lúcia. Porém, tendo estudado os arquivos de Fátima durante dez anos e falado com a Irmã Lúcia, o Padre Alonso mudou de opinião e tentou até reabilitar o Padre Fuentes. Declarou que o texto da conferência deste "não diz nada que a Irmã Lúcia não tenha dito nos seus numerosos escritos conhecidos do público." Acrescentou ainda que "o texto autêntico […] na minha opinião, não contém nada que pudesse levar à nota de condenação divulgado em Coimbra."2 Podemos, pois, concluir com segurança que a reacção da Cúria à publicação da entrevista do Padre Fuentes é uma indicação de que interessa a alguém que a Mensagem da Irmã Lúcia seja silenciada.



Notas:




Frère Michel de la Sainte Trinité, The Whole Truth About Fatima, Volume III: The Third Secret, (Immaculate Heart Publications, Buffalo, New York, 1990), pp. 504-508.




O Padre Alonso começou por aceitar que o Padre Fuentes tivesse inventado a entrevista. Mas em 1975, depois de ter estudado os documentos de Fátima durante algum tempo, concluiu que o texto teria procedido da Irmã Lúcia. Para mais informações, cf. The Whole Truth About Fatima, Vol. III, pp. 552-554.